Pesquisa

Tecnologias e substâncias
O «Gnathonemus petersii» emite sinais eléctricos quando a água se deteriora

Para complementar os processos de filtragem que já analisámos até ao momento, vários aquariófilos costumam socorrer-se também de outros sistemas um pouco mais recentes e que têm em comum o facto de se apoiarem na evolução tecnológica. Com efeito, apesar de em última análise a maioria dos sistemas auxiliares de filtragem ter sobretudo como objectivo provocar reacções físico-químicas conhecidas, nenhum deles seria possível sem se recorrer a tecnologias um pouco mais sofisticadas que o habitual.

 

Na verdade, quase todos os sistemas auxiliares de filtragem que lhe referiremos já de seguida são relativamente recentes – começaram a aparecer no mercado durante a última década e meia – e implicam por regra um investimento financeiro bastante mais elevado do que é usual no nosso hobby. Por isso mesmo, acabam por se justificar apenas para os aquariófilos que pretendem manter nos seus tanques espécies particularmente exigentes ou para os que enveredem pela aquariofilia marinha, designadamente pela manutenção de biótopos de recife de coral, área onde o conceito de necessidades básicas de filtragem é um pouco mais amplo do que na água doce.

 

  • Sistemas de injecção de dióxido de carbono – usados cada vez mais frequentemente como sistema de filtragem auxiliar, oferecem aos aquariófilos uma grande precisão a controlar os níveis de dióxido de carbono dissolvido nos seus tanques. Por isto mesmo, são sobretudo uma excelente ferramenta para os que querem manter aquários do tipo holandês ou apenas ter as plantas nas melhores condições. A vantagem de com este tipo de sistemas se poderem regular os níveis de dióxido de carbono (CO2) é que isso interfere directamente no chamado "poder-tampão" do sistema, contribuindo para o tornar mais estável, além de se poderem controlar facilmente alguns dos parâmetros da água, como o pH, por exemplo. Desta forma consegue-se manter melhor o tanque e ao mesmo tempo optimizar a filtragem
  • Esterilizadores por raios ultravioleta – muito eficientes como método de filtragem, estes equipamentos ajudam a purificar a água, mantendo-a livre de bactérias nocivas e de parasitas. A água circula por dentro de um compartimento de filtragem, de forma tubular, onde é exposta a luzes ultravioleta. Este filtro é claramente um dos melhores meios para eliminar uma grande variedade de fungos, bactérias e protozoários flutuantes. Por regra, as lâmpadas destes filtros têm uma vida útil de cerca de um ano, sendo que a sua eficácia filtrante diminui muito significativamente com o envelhecimento da lâmpada. Mas muita atenção: nunca olhe directamente para a luz, pois é extremamente prejudicial para os olhos
  • Osmose inversa – estes filtros consistem em sistemas de purificação de água que permitem atingir elevados níveis de desmineralização, sendo por isso particularmente utilizados por aquariófilos com altos níveis de exigência no que toca à qualidade da água. Com este tipo de filtros passa-se a dispôr de um fornecimento de água já convenientemente tratada, livre de cloro, de metais pesados e já com os teores desejados de desmineralização. Alguns deles podem até ser directamente pendurados no aquário ou em reservatórios de filtros abertos, possuindo uma válvula de flutuação. Para aquários de recife, existem no nosso mercado alguns filtros de osmose inversa que oferecem ainda como opcional um sistema de filtragem por desionização
  • Geradores de ozono – o ozono (O3) é uma forma altamente reactiva de oxigénio, desfazendo de uma maneira muito rápida e eficiente substâncias e detritos orgânicos no estado líquido. O ozono costuma ser usado com mais frequência através de escumadores de proteínas ou de reactores, exigindo cuidados particulares no seu manuseamento: quando se injecta ozono num tanque é preciso ter a certeza de que não se acumula ozono residual no sistema. É por isso recomendável filtrar a água por carvão activado para remover o ozono residual
  • Fragmentação de espumas – também conhecidos como escumadores de proteínas, estes filtros são principalmente usados em aplicações de água salgada, onde se afiguram, em nossa opinião, como praticamente indispensáveis; para tanques onde haja corais são absolutamente imprescindíveis. Podem ser um meio auxiliar de filtragem muito interessante para certos tanques de água doce. Como abordamos estes filtros no artigo sobre a filtragem química, não nos alongamos mais sobre eles por agora