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O equilíbrio biológico > Microbiologia e química

Os objectivos da filtragem

Vamos agora falar um pouco sobre microbiologia. Dos minúsculos organismos que contribuem para as reacções químicas úteis para os nosso aquário, os que mais importam para o nosso filtro biológico são algumas bactérias. Por isso vamos começar por elas. Todos nós sabemos que as bactérias são essenciais para a vida na Terra e que existem em toda parte. Só para termos uma ideia, num único mililitro de água doce pode haver entre 1 milhão até 100 milhões destes organismos unicelulares, invisíveis a olho nu.

 

Já agora, fica aqui uma nota histórica: a palavra "bactéria" foi introduzida em 1838 como designação científica pelo naturalista alemão Christian Gottfried Ehrenberg, que dedicou o seu trabalho ao estudo dos organismos microscópicos. O nome deriva da forma latinizada da palavra grega bakterion, que significa "vara" ou "bastão" e foi assim escolhido porque as primeiras bactérias descobertas tinham a forma de bastonetes.

 

Bactérias autotróficas e heterotróficas

 

Mas atenção, pois nem todas as bactérias são "boas". As bactérias são micro-organismos unicelulares procariontes — chamam-se procariontes aos organismos que não possuem um núcleo celular — e existem em duas formas: as bactérias autotróficas e as bactérias heterotróficas. Os organismos autotróficos, são aqueles que utilizam fontes de carbono inorgânico para produzirem a sua própria nutrição orgânica, são produtores primários. Já os organismos heterotróficos utilizam fontes de carbono orgânico, ou seja, utilizam outros organismos vivos — ou mesmo derivados deles — para se alimentarem e prosperarem.

 

Ora para o nosso filtro biológico vamos querer que se criem lá sobretudo colónias de bactérias autotróficas e que elas utilizem os elementos inorgânicos — sejam eles elementos resultantes da decomposição dos dejectos dos peixes, das folhas mortas das plantas ou mesmo de outros detritos inorgânicos, como restos de comida não-consumida, por exemplo —, que se alimentem deles, que os processem e que nos ajudem assim a mantermos a higiene do ambiente do aquário no médio e longo prazo.

 

Exemplo de uma fonte de carbono inorgânico é o dióxido de carbono (CO2), que é usado pelas plantas e também por algumas bactérias, como as cianobactérias e aquelas bactérias "verdes" que às vezes, perante um excesso de nutrientes disponíveis proliferam tanto, tão rapidamente e ficam tantas na coluna de água que ela fica com uma tonalidade verde, decorrente dessa explosão de "algas". Estas bactérias são fotoautotróficas, o que significa que não utilizam apenas a fonte de carbono inorgânico; por um lado são autotróficas, mas como utilizam igualmente a luz para obter energia também são fototróficas.

 

A oxidação dos compostos nitrogenados inorgânicos

 

Há ainda algumas bactérias autotróficas que utilizam a oxidação de compostos inorgânicos para obterem energia (em vez de utilizarem a luz), ou seja, utilizam compostos como a amónia, o enxofre e o ferro (esta é a razão porque se devem repôr regularmente os níveis de ferro para a fertilização das plantas). Estas últimas também se chamam quimioautotróficas e as que consomem a amónia são um bom exemplo das bactérias que queremos fomentar e manter no filtro biológico do nosso aquário.

 

No entanto, as bactérias mais abundantes, à semelhança do que sucede com os organismos vivos, são heterotróficas e isso significa que não podem sintetizar seus próprios alimentos, de modo que precisam de material orgânico para se alimentarem, como dejectos de peixes, peixes e plantas, quer estejam vivos ou mortos, etc. Aliás, até se alimentam mesmo de outras bactérias mortas. Tal como as outras, também estas podem ser divididas de acordo com a sua fonte de energia: há bactérias fotoheterotróficas — como exemplos temos as bactérias roxas e as bactérias verdes não-sulfurosas, as heliobactérias, etc — e quimioheterotróficas, sendo que estas constituem a maioria das bactérias não-autotróficas.

 

Uma grande diferença destas face às autotróficas é que enquanto algumas das bactérias heterotróficas são aeróbicas, muitas são organismos anaeróbicos facultativos, o que significa que podem sobreviver tanto na presença como na ausência de oxigénio livre. Os organismos anaeróbicos não necessitam de oxigénio livre para crescerem, para se multiplicarem, e isso, como é fácil de perceber, tem consequências muito significativas no equilíbrio dos aquários.