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Baleias, orcas e golfinhos

Uma família de mamíferos ameaçados

As estratégias de caça da «Orcinus orca» revelam uma invulgar inteligência

Das cerca de 80 espécies de cetáceos existentes no mundo — um grupo limitado onde se incluem as baleias, as orcas, os golfinhos e as toninhas —, 12 são vulgarmente designadas como sendo as «grandes baleias». Entre elas contam-se os cachalotes, as baleias de bossa, as baleias anãs, as baleias azuis e as baleias cinzentas, entre várias outras espécies. Os cetáceos desempenham um papel importante na vida dos oceanos, pois servem como que de «bandeiras», ou «sentinelas», para a saúde e bem-estar de todos os ecossistemas marinhos.

 

Todos os cetáceos respiram directamente da atmosfera — ou seja, necessitam de vir à superfície para respirar — e são mamíferos de sangue quente que cuidam carinhosamente dos seus filhotes durante bastante tempo, alimentando-os directamente com o leite materno. O estudo dos fósseis de baleias — já foram encontrados fósseis de baleias perto da cordilheira dos Himalaias, o que foi interpretado como argumento a favor da teoria da movimentação dos continentes — indicam igualmente de forma clara que os cetáceos evoluíram de antepassados terrestres quadrípedes que regressaram aos mares há cerca de 55 milhões de anos.

 

Os cetáceos dividem-se em duas categorias: as baleias de barbela, ou misticetes — onde se englobam todos os cetáceos vulgarmente denominados «grandes baleias», com excepção do cachalote —, e as baleias dentadas, ou odontocetes — sendo que esta categoria inclui, além do cachalote, as outras baleias mais pequenas, os golfinhos e as toninhas. Existem 11 espécies de baleias de barbela: as azuis, as Fin, as Sei, as Bryde, as corcundas, as Minke, as Northern Right, as Southern Right, as anãs, as de bossa e as cinzentas.

 

O seu tamanho varia das compactas Minke, que têm em média um comprimento de 10 metros, até as gigantescas baleias azuis, que podem atingir um comprimento acima dos 30 metros e pesar tanto como 32 elefantes juntos! Entre as características mais distintivas das baleias de barbela inclui-se uma caixa craniana simétrica sem melão — o instrumento de ultra-sons usado pelas odontocetes para determinarem a sua localização recorrendo aos ecos — e um par de cavidades nasais — as duas narinas por onde sopram jactos quando respiram —, em vez da narina única dos odontocetes.

 

Já as baleias dentadas, que constituem um grupo diversificado de mais de 70 espécies, variam desde as vulgares toninhas, que têm aproximadamente 1,5 metros, até aos colossais cachalotes, que podem atingir 18,5 metros ou mais. Alguns outros exemplos são os simpáticos golfinhos de nariz de garrafa, os golfinhos torneiros, os golfinhos de água doce como os botos da Amazónia e os golfinhos do Indo, o grande rio da Índia setentrional, as elegantes orcas — também conhecidas por «baleias assassinas» —, as baleias piloto, as belugas, os narvais e ainda a extensa família das baleias de bico.

 

Completamente adaptados à vida na água, os cetáceos respiram através de buracos no cimo da cabeça — são as suas narinas —, que lhes permitem absorverem ar na superfície da água sem precisarem de parar de nadar. Das grandes baleias, o campeão das profundezas é o cachalote. É ele quem consegue suster a respiração por mais tempo: o mais longo mergulho dado por um cachalote de que há registo durou uma hora e 13 minutos, sendo que estas baleias podem descer a profundidades superiores a 1.600 metros. Ao contrário dos peixes, que movem as suas caudas para os lados, as baleias nadam movimentando as caudas verticalmente e usando as barbatanas como estabilizadores e para manter o rumo.