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A necessidade de uma temperatura constante
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Os peixes são seres ectotérmicos, ou seja, utilizando uma linguagem mais corrente, são criaturas de sangue frio. Quer isto dizer que a temperatura do seu corpo é determinada pelo seu meio ambiente. Por conseguinte, a temperatura a que estiver o aquário influenciará directamente o seu metabolismo e a quantidade de oxigénio dissolvida na água, o que, por seu turno, também afectará a forma como os peixes irão respirar: se dispuserem de oxigénio a menos, respirarão de forma ofegante, por exemplo...

 

No caso dos peixes tropicais, como a água está mais quente, existe menos oxigénio dissolvido e eles mostram-se mais activos. Se a temperatura cair para valores demasiado baixos, apesar de eles disporem de mais oxigénio dissolvido, o seu metabolismo é afectado e eles ficam mais parados... Uma das mais importantes implicações disto para o aquariófilo consiste basicamente em não se esquecer nunca de que não pode povoar um tanque de água quente com a mesma quantidade de peixes que poderia colocar num tanque de água fria, devido ao facto da quantidade de oxigénio dissolvido na água decrescer com o aumento da tempertura.

 

Por outro lado, nos trópicos a temperatura das águas mantém-se razoavelmente constante. Embora as variações sejam muito mais significativas na água doce do que na água salgada, nos grandes cursos de água doce tropicais as flutuações de temperatura que se verificam entre o dia e a noite são muito ligeiras e, ao contrário do que se verifica nas outras zonas do globo mais próximas dos pólos, não existe verdadeiramente uma estação fria.

 

Para replicarmos estas condições naturais num aquário doméstico, a temperatura da água necessitará de permanecer uniforme e em valores elevados, geralmente numa amplitude entre os 23 e os 28°C. Todavia, estes são valores de referência, pois existe um intervalo de temperaturas óptimas para cada espécie de peixes ou plantas, que podem ser encontradas neste site consultando as fichas específicas dos peixes e das plantas. E nem todas as espécies apresentam a mesma tolerância: algumas suportam um espectro amplo enquanto outras somente admitem um intervalo de valores muito estreito.

 

Posto isto, é fácil concluirmos que conhecer detalhadamente as necessidades particulares neste capítulo das espécies que queremos manter no nosso tanque é um imperativo categórico; caso contrário, poderemos estar a fazer sofrer os animais e as plantas à nossa guarda de uma forma que dificilmente imaginaríamos. Pôr um vulgar cardume de neóns num aquário não aquecido seria algo equivalente a libertar gazelas da Namíbia num fiorde da Noruega...

 

Felizmente, nos dias de hoje assegurar o aquecimento de um aquário e manter a temperatura da água em valores constantes tornou-se uma tarefa extremamente fácil, com uma pequena ajuda da tcnologia. Basicamente, os sistemas de aquecimento de aquários modernos têm dois componentes principais: uma resistência eléctrica, que aquece a água, e um termostato, que controla os níveis da temperatura ao ligar e desligar automaticamente a resistência, sempre que necessário.

 

É comum encontrarmos hoje em dia aparelhos que reúnem estas duas funções dentro de um envólucro semelhante a um tubo de ensaio, em que a resistência eléctrica e o termostato se encontram no interior, ficando o topo hermeticamente vedado e incluindo um sistema de regulação externo da temperatura. Estes equipamentos apresentam a vantagem de serem seguros e práticos e de se poderem dissimular facilmente no aquário decorado. Mas existem outras soluções, como veremos adiante. O que o leitor também poderá constatar é que na linguagem vulgar se convencionou chamar apenas termostatos aos equipamentos que reúnem as duas funções.

 

A escolha do termostato

 

Na compra de um termostato, o factor fundamental a considerar é a capacidade do tanque. Um aparelho com uma potência desajustada poderá ou fazer com que a temperatura de um aquário muito pequeno suba demasiado rapidamente ou, ao invés, irá funcionar ininterruptamente para tentar manter a temperatura de um aquário de dimensões generosas nos valores correctos. Ou seja, não queremos nem uma coisa nem outra. Nesta matéria, o melhor conselho será certamente o do fabricante do equipamento: leia sempre o folheto do termostato que pretende adquirir e as explicações nele fornecidas.

 

Porém, como orientação geral, avançamos na tabela em baixo vários exemplos da capacidade recomendada para o termostato relativamente à capacidade total do aquário em litros. De realçar contudo que para os tanques de maiores dimensões é sempre boa ideia dividir estas contas por dois ou três aquecedores, de maneira a distribuir a temperatura mais uniformemente e a prevenir que haja zonas do aquário que fiquem arrefecidas em demasia. Colocando os termostatos em múltiplas zonas do aquário, a distribuição da temperatura ficará naturalmente optimizada, além desta opção apresentar também a vantagem de haver sempre um mecanismo de substituição caso um dos equipamentos falhe.

 

» especificações gerais de aquecimento
|------------------------------------------------|
| capacidade do aquário             potência     |
|------------------------------------------------|
|       70 litros         »          75 watts    |
|       90 litros         »         100 watts    |
|      135 litros         »         150 watts    |
|      225 litros         »         200 watts    |
|      360 litros         »         300 watts    |
|      450 litros         »     2 x 200 watts    |
|      680 litros         »     2 x 300 watts    |
|------------------------------------------------|

 

Por norma, a potência teoricamente necessária é de 1 watt por litro de água. Todavia, como já sabemos, da capacidade total do tanque há que retirar o espaço ocupado pelo substrato, pelas rochas, pelos troncos, etc... Além disso, se um aquário estiver numa divisão da casa que não seja muito fria, pode-se sempre optar por equipamentos ligeiramente menos potentes e, por conseguinte, mais económicos. O seguinte gráfico ajuda a calcular as necessidades de aquecimento para um aquário tropical tendo em conta a sua capacidade e partindo do pressuposto de que a temperatura média normal dentro de uma casa anda à volta de 18 graus centígrados:

 

» reforço de temperatura de que um aquário
necessita quando instalado numa divisão a 20°C |------------------------------------------------| | volume| reforço pretendido (sobre os 20°C) | | do |----------------------------------------| | tanque| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |10 |12 | |------------------------------------------------| | 10 | 1 3 4 5 7 8 10 11 14 17 | | 20 | 2 4 6 9 11 13 15 17 22 26 | | 40 | 3 7 10 14 17 20 24 28 35 42 | | 60 | 4 9 13 18 22 27 31 35 45 54 | | 80 | 5 11 16 22 27 33 38 43 54 65 | | 100 | 6 13 19 25 31 38 44 50 63 76 | | 120 | 7 14 21 28 36 43 50 57 70 85 | | 150 | 8 15 25 33 41 50 57 66 83 98 | | 200 | 10 20 30 40 50 60 70 80 100 120 | | 250 | 12 23 35 46 58 70 80 93 115 140 | | 400 | 16 32 48 63 80 95 110 130 160 190 | | 600 | 20 40 62 83 104 124 145 166 200 250 | | 800 | 25 50 76 100 126 151 176 200 250 300 | | 1000 | 30 60 88 117 146 175 205 235 290 350 | |-------|----------------------------------------| (litros) (potência necessária em watts) exemplo: para obter uma temperatura de 25°C num tanque de 200 litros num quarto a 20°C bastaria um termostato de 50 watts. Confira-se na coluna da esquerda a capacidade do aquário em litros e veja-se na primeira linha os 5°C. Desça-se essa coluna até cruzar com a linha dos 200 litros: a potência necessária seria de 50 watts