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Remoção de elementos
Com a filtragem química consegue-se «polir» a água, deixando-a cristalina

O uso de produtos que alteram a composição química da água é um dos métodos mais eficazes de filtragem, sendo hoje em dia vulgarmente usado. E isto por várias razões de peso: uma delas é que a filtragem química é inquestionavelmente o melhor meio para quem necessitar de devolver a pureza à água do seu tanque e o meio mais seguro para a manter cristalina. No entanto, como regra, não se deverá utilizar constantemente a filtragem química, recorrendo-se antes à biológica e à mecânica. Porquê? Porque uma sobrefiltragem com elementos químicos também pode acabar eventualmente por retirar à água substâncias benéficas...

 

Tal como sucede actualmente com os outros tipos de filtros, a escolha de equipamentos aptos a assegurar o tratamento químico da água é extensa. E também aqui a escolha do mais adequado é a chave para o sucesso, pois pode afectar directamente a saúde dos espécimes tanto a curto como a longo prazo. Senão vejamos: se quisermos aproveitar a filtragem química para acidificarmos a água teremos que ter em atenção não somente as massas filtrantes mais adequadas para alcançarmos esse objectivo, como teremos de ter igualmente atenção à capacidade do filtro, ao seu débito, para não corrermos o risco de provocar uma acidose, alterando a composição química do meio num lapso demasiado curto.

 

De facto, como iremos ver mais à frente, as alterações químicas da água devem ser efectuadas de forma gradual, evitando choques para os habitantes do aquário e dando-lhes tempo para se habituarem a essas modificações. Se tivermos uma água com pH neutro e pouco dura e a quisermos ajustar para que fique apta para os ciclídeos do Vale do Rift que possuímos no nosso tanque, a subida do pH e o endurecimento com os minerais apropriados deverá ser feira de uma forma lenta e progressiva.

 

Ou seja, existem muitos e diferentes métodos para tratar a água "quimicamente". Além dos objectivos mais comuns – filtragens químicas destinadas a alterar o pH e a dureza ou então a remover medicamentos ?, temos ainda a possibilidade de recorrer a sistemas que nos permitem atingir objectivos mais sofisticados. Basicamente, podemos dizer que a filtragem química se pode fazer recorrendo a um destes métodos: troca de iões, adsorção, ligação química e destruição molecular. Para cada um deles, o que varia sobretudo são os meios filtrantes e a duração e o caudal da filtragem. Quanto às massas filtrantes que se podem utilizar, incluem, entre outras: o carvão activado, as resinas, o musgo de turfa, os areões calcários, o zeólito, o hidróxido de cálcio, as almofadas de poliadsorção, etc.

 

Além destas, é fácil encontrar nas lojas da especialidade vários outros aditivos que ajudam a reforçar a eficácia da filtragem química, tal como como elementos residuais e vitaminas, que podem ser muito úteis para colmatar eventuais deficiências provocadas na sequência destas filtragens, pois não são só as substâncias nocivas que são retiradas da água do tanque – algumas das substâncias boas também são removidas da água com este tipo de tratamento. A nossa opinião é que, após cada tratamento, a água deve ser sempre filtrada quimicamente com carvão activado ou resinas para remover quaisquer vestígios de substâncias medicinais e tirar a cor e o cheiro à água, adicionado-se-lhe de seguida vitaminas e um reforço dos indispensáveis elementos residuais.

 

Entre os filtros aptos a assegurarem métodos eficazes de tratamento químico da água e fáceis de encontrar nas lojas da especialidade, indicamos os seguintes, por serem os mais vulgarmente utilizados:

 

  • Filtros externos com reservatório – disponíveis tanto em versões com balde estanque ou unidades para pendurar no aquário, estes equipamentos são bastante eficazes. A água é aspirada do aquário pela bomba do filtro e através de um tubo em forma de bengala, sendo depois forçada a circular dentro do reservatório, onde foi colocada a massa filtrante que faz a sua transformação química, que pode ser carvão ou zeólito, por exemplo. A lógica de funcionamento é semelhante à dos outros filtros e é frequente combinar-se as massas químicas com massas mecânicas, convertendo o filtro num sistema multifuncional
  • Filtros de gotejo – são claramente os equipamentos mais populares entre os partidários de aquários marinhos de recife e entre os aquariófilos mais exigentes. São os que alternam de forma mais natural o ambiente seco e o húmido e podem conjugar facilmente os distintos tipos de filtragem, incluindo a química. Existem hoje filtros de gotejo com inúmeros designs diferentes, mas uma boa parte deles é construída à medida, para servir as necessidades específicas de um tanque. Na sua maioria são um sistema separado, para onde a água é puxada do aquário, sifonada através dos meios mecânico, biológico e químico, e devolvida à origem. Estes género de filtros permitem uma grande diversidade de filtragem devido não só às suas grandes dimensões como ao facto de funcionarem como entidade separada do aquário
  • Filtros motorizados – a maior parte destes equipamentos destinam-se a ser pendurados na parte traseira do aquário, ficando semi-submersos. São baratos e de design simples, com peças desmontáveis, para uma cómoda manutenção. Para a filtragem química, costumam ser complementados com um compartimentos onde ficam alojadas as massas filtrantes
  • Reactores – a água é bombeada através de uma câmara, muito do tipo dos filtros externos com reservatório em balde, onde fica exposta à massa química. Às vezes os reactores funcionam sob pressurização para uma filtragem mais eficaz. Os reactores são particularmente bons quando pretendemos retirar substâncias químicas específicas da água
  • Filtros internos – bastante eficazes na filtragem química, são equipamentos simples e mais ou menos baratos. Estes filtros são quase sempre de pequenas dimensões, pois destinam-se a ser colocados directamente no aquário ou num reservatório lateral, sendo por isso usados frequentemente nos aquários mais pequenos. São bons para filtragens químicas de curta duração
  • Aditivos químicos – podem ser uma ajuda muito eficiente quando se pretendem remover elementos tóxicos da água, como amónia, componentes de nitrogénio e metais pesados, pois purificam-na ao anularem ou tornarem infensivas essas subtâncias. Podem encontrar-se na maior parte das lojas da especialidade, já prontos para serem utilizados, em diferentes tipos e tamanhos
  • Fragmentação de espumas – também conhecidos como escumadores de proteínas, estes sistemas são sobretudo usados em aquários marinhos, embora haja igualmente quem os aproveite em tanques de água doce. Com uma forma alta e colunar, estes filtros baseiam-se todos num princípio comum, que consiste em bombear para a coluna água e bolhas de ar muito pequeninas. Este contacto com a mistura de ar e água permite capturar as toxinas nas bolhinhas de ar e prendê-las nessa espuma, que começa por fica à superfície e transbordar para fora em determinado ponto. Como essa espuma contém muitos elementos nocivos (e muito frequentemente também alguns benéficos), ajuda a purificar a água do aquário, sendo o sistema considerado como um meio de filtragem auxiliar. Do ponto de vista da filtragem química, os escumadores de proteínas são uma forma eficiente de remover toxinas