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A forma e a função
Quase todos os tanques são hoje em vidro colado com silicone

Um aquário bem tratado e decorado é de facto algo muito atractivo e que pode converter-se facilmente no ponto focal de uma divisão. A visão do movimento vivo dos seus habitantes produz um efeito relaxante em qualquer pessoa, o que justifica o facto de várias salas de espera de médicos e dentistas – onde por regra temos de aguardar muito mais tempo do que prevíamos ?, possuírem um aquário.

 

Além disso, com as migrações verificadas ao longo das últimas décadas das populações dos meios rurais para os centros urbanos, a maior parte das pessoas passou a viver em apartamentos, onde muitas vezes ter um cão ou um gato se afigura algo impraticável. Isto ajuda de certa forma a justificar porque é que durante este século a aquariofilia foi conquistando espaço nas nossas vidas e nas nossas casas, até se tornar hoje num dos hobbies mais populares a nível mundial.

 

Ainda não há muitos anos, por volta da década de 70, os aquários costumavam ser feitos colando painéis de vidro a uma estrutura metálica que fazia de cantoneira. De facto, por várias décadas, tinha sido essa a técnica dominante no fabrico de aquários, embora, claro está, com diversos aperfeiçoamentos: se inicialmente essas cantoneiras costumavam ser de ferro pintado para resistir à corrosão, viriam depois a ser em inox, o que já lhes conferia um menor desgaste e uma muito menor necessidade de intervenção.

 

Todavia, este método de construção limitava a quantidade de formas e feitios em que os aquários pré-fabricados se encontravam usualmente disponíveis. Além disso, os materiais utilizados para fixar os vidros à armação metálica não transmitiam tanta segurança em termos de estanquicidade que pudessem ser exploradas novas formas nos aquários colados que não as tradicionais: cúbica e rectangular. Os aquários redondos, claro está, eram feitos de peças de vidro únicas, que dispensavam o uso de colas ou argamassas.

 

Os aquários modernos

 

Com efeito, viria a ser a invenção da borracha de silicone nos anos 60, nos Estados Unidos, que revolucionaria o panorama da indústria de design e construção de aquários, tornando os velhos tanques com cantoneiras metálicas em artigos obsoletos. Armazenada numa forma viscosa, tipo pomada, que rapidamente endurece em contacto com o ar, a borracha de silicone tem a vantagem de se colar fortemente aos painéis de vidro dos aquários, formando uma junção molecular quase perfeita com a areia de sílica de que eles são compostos. E é precisamente esta junção que nos garante anos de estanquicidade livres de manutenção...

 

Mas há uma outra coisa ainda melhor no silicone: mesmo após endurecer, a borracha conserva uma espécie de consistência elástica, que permite os vidros moverem-se muito ligeiramente, reduzindo a criação de pontos de tensão que poderiam causar a sua fractura. Não nos esqueçamos de que os vidros quase não se podem flectir nada, pois estalam ao mínimo esforço de dobragem. Além disso, um pouco de silicone dentro dos cantos interiores do aquário, além de agarrar fortemente os vidros, cria uma linha de selagem perfeita. De facto, após o aproveitamento do silicone para a construção de aquários, esta indústria nunca mais foi a mesma.

 

De tal modo, que estão disponíveis nos dias de hoje, em qualquer loja da especialidade, tanques com as mais diversas formas e feitios, mas que têm em comum o facto de se basearem neste versátil material. Assim, entre os géneros de aquários mais comuns podemos presentemente destacar dois tipos, que têm sobretudo a ver com os materiais com que são fabricados: os aquários de vidro e os aquários de acrílico.

 

No reinado do vidro

 

Comecemos então pelos aquários de vidro, que são claramente os dominantes. Para aquários de pequena e média dimensão, como os domésticos, o vidro apresenta a vantagem de ser o material mais barato, embora seja também muito menos flexível e muito mais pesado do que o acrílico, sobretudo se os vidros já tiverem uma espessura superior a 6 milímetros. E não se esqueça de que à medida que crescem as dimensões do aquário a sua capacidade também aumenta sensivelmente, o que equivale a dizer que a pressão que a água vai exercer sobre o fundo e os lado também é multiplicada.

 

Perante isto, um tanque que aparentemente pode parecer só um pouco maior do que outro em comprimento, altura e largura, poderá na realidade ter quase o dobro da capacidade bruta e exigir consequentemente que a espessura dos seus vidros seja também o dobro... Ora, tendo os vidros o dobro da espessura, também o aquário irá pesar muitíssimo mais em vazio do que o outro mais pequeno. Isto pode parecer óbvio, mas a verdade é que convém fazer bem as contas ao peso e à dimensão antes de pensar em mover ou transportar um aquário vazio de capacidade superior a 200 litros. Certifique-se de que conta com a ajuda de uns amigos fortes e espadaúdos se estiver a pensar transportar um aquário desse tamanho.

 

Por outro lado, o vidro tem a vantagem de ser mais resistente aos riscos do que o acrílico, apesar de também se riscar com relativa facilidade se não tivermos cuidado. Às vezes basta um bocadinho de ferrugem na lâmina com que se está a raspar as algas dos vidros para lhes fazer riscos muito inestéticos... E, ao contrário do que sucede com o acrílico, os riscos nos vidros não podem ser removidos com simples polimento. Pior ainda: os riscos do lado de dentro do aquário tornam-se particularmente visíveis, podendo inclusivamente servir de ranhura onde as algas se alojam e não se conseguem tirar completamente, ficando lá sempre uma linha de resíduos. Dentro de um tanque de acrílico, pelo contrário, os riscos mais pequenos são praticamente invisíveis.

 

Se eventualmente já estiver a planear fazer uns furos na base do seu aquário para instalar a tubagem dos filtros, tenha o cuidado de se assegurar primeiro de que esse painel em concreto não é feito de vidro temperado. Infelizmente, a experiência tem-nos provado que é muito difícil furar com sucesso vidro temperado. Não obstante, em particular para quem estiver a pensar instalar um aquário de água salgada, a montagem ab initio de um sistema específico de tubagem para assegurar a filtragem externa do aquário, sobretudo se já tiver uma capacidade acima dos 300 litros, é sempre algo recomendável.

 

As vantagens do acrílico

 

O acrílico apresenta algumas vantagens face ao vidro. A primeira coisa a assinalar é que um tanque de dimensões generosas em acrílico é muito mais leve que um de similar tamanho em vidro. O acrílico também é mais cristalino, pois neste material não se notam tanto aqueles reflexos verdes característicos do vidro temperado – a não ser que esteja disposto a gastar muitíssimo mais por um aquário em vidro óptico feito à medida. Além disso, nos tanques em acrílico mais pequenos, de até 120 centímetros de frente, por exemplo, todos os lados formam uma única peça do mesmo material, com os cantos arredondados em vez de terem painéis colados.

 

Aliás, esta é a principal diferença a nível estético e a primeira coisa que as pessoas costumam notar quando vêem um aquário feito em acrílico pela primeira vez. Em termos visuais, a diferença de acabamentos neste capítulo é abissal... E se o nosso prezado leitor for um daqueles obcecados pelo design – embora ainda não existam aquários com design de Alvar Aalto ou de Phillipe Starck... ?, os tanques em acrílico e numa única peça decerto o seduzirão... Infelizmente, ao contrário do que sucede nos EUA, entre nós este tipo de aquários é relativamente difícil de encontrar nas dimensões standard e já fabricados em série.

 

Os contras do acrílico? Também tem, claro. Desde logo, como já foi referido, risca muito mais facilmente do que o vidro, pelo que é de desaconselhar se tiver crianças irrequietas. Apresenta porém a vantagem dos pequenos riscos externos serem facilmente polidos com um produto de polimento fino e bastante paciência. Já quanto aos pequenos riscos dentro do tanque, raramente se afiguram um problema, uma vez que o índice de refracção do acrílico é muito próximo ao da água – os riscos parecem "desaparecer" quando submersos! Após alguns anos poderá até notar que a parte interior do tanque se apresenta baça quando seca (durante as mudanças de água, por exemplo).

 

Este fenómeno deve-se à acção ligeiramente abrasiva das esponjas de limpeza especiais que se costumam usar para remover as algas do interior dos painéis. Todavia, esse aspecto baço desaparece como que milagrosamente assim que se volta a encher o tanque. Muita atenção porém com a raspagem dos painéis de acrílico, pois não se devem nunca usar as vulgares lâminas para retirar as algas! Bem, quanto a isso, o acrílico tem uma outra vantagem: as algas não conseguem agarrar-se tão bem aos painéis de acrílico como ao vidro. Mesmo as algas mais difíceis de remover – como sucede com aquelas algas do tipo pontinhos de um verde-escuro que costumam crescer nos lados... – saem facilmente utilizando uma banal esponja ligeiramente abrasiva, o que já não sucede no vidro, onde têm de ser mesmo raspadas.

 

Fazer furos para a filtragem num tanque de acrílico também não é problema. Pode-se até usar um berbequim, desde que a rotação seja mantida a uma velocidade muito baixa e a broca seja bem lubrificada e arrefecida várias vezes com água. Se verificar que em vez de estar só a furar o acrílico ele também começa a derreter é porque não está a fazer bem as coisas e é um sinal de que terá de ir bastante mais devagar.

 

Finalmente, a grande desvantagem dos aquários em acrílico prende-se com o travejamento de topo. Ao contrário dos tanques em vidro, que costumam ser completamente abertos no topo ou possuem um pequeno travejamento central quando são maiores, para aumentar a resistência, os de acrílico costumam ter uma peça sólida no topo com espaços abertos para os diferentes fins: decoração, filtragens, etc. Embora isto ajude a reforçar o conjunto, acaba por limitar bastante o accesso ao tanque. Já vimos inclusivamente alguns que não permitiriam de forma nenhuma pôr lá dentro um troco de madeira que fosse de um lado ao outro...

 

Mas esta desvantagem também se constata em aquários vindos de fábrica com armações ou cantoneiras de plástico. Nestes casos, não se esqueça de verificar se eventualmente terão ou não suficientes aberturas para os filtros e cabos dos aquecedores e para tudo o resto que quiser fazer lá dentro, nomeadamente para poder trabalhar facilmente na decoração.

 

Quer um exemplo concreto do que estamos a falar? Imagine que depois de comprar o seu aquário encontrava na loja uma rocha enorme, mas muito bonita, ou um grande tronco todo retorcido. Se não se assegurasse primeiro de que esses elementos decorativos iriam passar pelo topo do seu tanque, estaria a correr o risco de ter depois de os partir para a dimensão adequada. E a experiência diz-nos que uma grande pedra depois de partida em pedaços, ou um tronco serrado, de modo a poderem caber no aquário, nunca ficam tão atractivos nem tão naturais como antes, quando eram uma peça única...