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Continentes e conteúdos
O aquário deve adequar-se às necessidades dos seus habitantes

Antes de pensar nos conteúdos, há que avaliar muito bem como deverá ser o continente. Em aquariologia o aquário é o continente, claro está. Os conteúdos? São todos os elementos do habitat que queremos criar dentro dele e que deverão ajustar-se de uma forma perfeita às exigências específicas de todos os seres que depois nele viverão, a começar pelos peixes e plantas.

 

Demasiado complicado? Nada disso. Na verdade, ao seguirmos esta lógica estaremos também a assegurar, ao mesmo tempo, as condições essenciais para que o novo aquário nos venha depois a dar muito menos problemas. Chamar ao aquário continente é uma metáfora: é assim mesmo a ordem das coisas na Natureza. Antes das plantas e dos animais, surgiram os continentes; depois, face às condições favoráveis - climatéricas, geográficas, etc -, que se encontravam nesses continentes, é que começaram a surgir as espécies...

 

É claro que as espécies, tanto animais como vegetais, também têm a capacidade de se adaptarem, de se aclimatarem, e até de se desenvolverem em condições adversas. Só que isso verifica-se aos poucos e poucos, muito devagar. É um processo que não se pode apressar, que demora milénios. Não se recria. Os peixes e as plantas - tenham sido capturados nos habitats de origem ou criados em cativeiro -, terão de encontrar no aquário condições que lhes proporcionem uma existência saudável e vigorosa.

 

Assim, antes de escolhermos um aquário, devemos pensar bem numa série de pontos essenciais para conseguirmos proporcionar aos seus futuros inquilinos as condições para uma vida cómoda e tranquila (e para nós também, evitando-nos problemas...). E essa análise deve começar, desde logo, por analisarmos o espaço de que dispomos para instalar o tanque e o sítio onde ele irá ficar. Serão esses dois aspectos os elementos decisivos para que possamos pensar como irá ser o nosso continente...

 

Mais pesado do que parece

 

Pelo menos na maioria das casas, o espaço disponível para um aquário costuma logo representar uma forte limitação à escolha do tipo de tanque. Isto porque quando se equacionam as dimensões, há que se ter também em conta o peso total que o aquário irá ter depois de cheio. Adicionando ao peso da água o do areão, o das rochas, o dos troncos, etc, o que se constata é que um tanque com capacidade para 120 litros acaba por pesar muito mais do que os cerca de 120 quilos inicialmente previstos...

 

Ou seja, será que o chão do local da casa onde está a pensar colocar o novo aquário é suficientemente resistente para aguentar todo esse peso? Não se esqueça também, para estas contas, do peso do móvel em que ele estará assente. É que convém instalar qualquer aquário a uma altura ao nível dos olhos e num local que nos permita observá-lo confortavelmente... E, já agora, não se esqueça igualmente de proteger o tampo de móvel contra os inevitáveis pingos de água...

 

Feitas estas contas, não é preciso ser barra em aritmética para concluir que o peso total do conjunto para um aquário médio pode atingir valores muito significativos... Portanto, se eventualmente já estava a pensar adquirir um aquário com capacidade para 500 ou 600 litros, pense duas vezes. Mas há outra coisa de que também pode estar certo: em termos relativos, dará muito menos trabalho manter em boas condições um tanque de grandes dimensões, na casa dos 600 ou 800 litros, do que um que não ultrapasse os 60 ou 80 litros...

 

Porém, se por acaso for um dos privilegiados que dispõem de espaço propício para instalarem um tanque com capacidade para várias centenas de litros, e estiver decidido a fazê-lo, não esqueça de verificar se existe alguma forma de ligar facilmente uma torneira perto dele, para o encher. E se também haverá, ao invés, maneira de o esvaziar facilmente, já a pensar nas mudanças de água que terá de fazer...

 

Os perigos das correntes de ar

 

Finalmente, existem dois outros pontos muito importantes a ter em consideração nesta análise prévia à escolha do aquário. Um deles prende-se com o facto de o local escolhido para um tanque tropical não dever ser numa zona propícia a correntes de ar, pois os futuros habitantes podem ressentir-se muito com isso. Aliás, este é um aspecto que não deve ser nunca menosprezado, pois assume-se frequentemente como causa de surtos de doenças aparentemente inexplicáveis em tanques tropicais...

 

O segundo ponto tem a ver com a exposição directa do tanque à luz solar. Se não a puder controlar eficazmente, evite-a. De facto, até talvez seja preferível pôr o aquário num recanto sombrio, onde ele possa ser um elemento de iluminação com a sua luz artificial, pois qualquer aquariófilo experiente sabe que os excessos de luz solar acabam por afectar passado pouco tempo o equilíbrio de um novo aquário: favorecem o rápido aparecimento de algas nocivas, que se multiplicam a uma velocidade estonteante.

 

Quando essas algas começam a disparar, por beneficiarem do excesso de luminosidade, é preciso muito pouco para adquirirem num ápice um estatuto de praga, passando então a competir com as plantas numa luta desigual. Assim, excepto se estiver a pensar fazer criação de algumas espécies de peixes em concreto, para as quais os primeiros raios de sol da manhã podem funcionar como factor estimulador da desova, o melhor será evitar totalmente a exposição directa do seu tanque à luz do dia.

 

E pronto. Feita esta análise prévia, pode então começar a fazer uma ideia do tipo de aquário que pretende adquirir. Agora já está em condições de saber o local onde o quer colocar e também terá certamente uma ideia das dimensões máximas que o novo tanque poderá ter. Ou seja, já se encontra em condições para formar uma ideia de qual será o tamanho do tanque, algo imprescindível para planear o tipo de peixes e de plantas que poderá pôr lá dentro... É disso tudo que lhe vamos falar nos próximos artigos.