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Sintomas e tratamentos

As doenças

Já alguma vez ouviu falar da homeostase? E sabe o que é o metabolismo? Provavelmente sim. Mas sabe ao certo o que significam estes dois termos? Então deixe-nos clarificá-los: tal como sucede com todos os seres vivos quando se encontram saudáveis, os peixes mantêm um equilíbrio estável no interior do respectivo corpo, mesmo quando as condições externas, do seu meio ambiente, registam variações. A homeostase consiste precisamente nessa estabilidade interna, a qual é assegurada por uma série de reacções químicas ordenadas que constituem o metabolismo.

 

Vamos lá a um exemplo concreto, para isto ficar mesmo claro. Independentemente da temperatura do local onde se encontre neste preciso momento, caro leitor, se você se sentir confortável, a temperatura do seu corpo estará na casa dos 37°C. Se estiver a sentir frio, o metabolismo do seu corpo começará logo a trabalhar para que a sua temperatura não desça. Ao invés, se começar a sentir calor, o seu organismo irá funcionar para evitar que ela suba. Ou seja, em qualquer uma destas situações irão ocorrer diversas reacções bioquímicas no interior do seu corpo, para que consiga manter o seu equilíbrio térmico interno, pois se a sua temperatura não permanecesse entre dois limites relativamente estreitos — de um mínimo de 35 a um máximo de 42°C — as consequências para a sua saúde seriam perigosas ou até fatais. Essa tendência do organismo para manter um ambiente interno estável e relativamente constante é a homeostase.

 

Mas sendo os peixes animais pecilotérmicos, ou ectotérmicos, isso significa que a temperatura do corpo deles varia consoante a temperatura do seu meio ambiente. Ou seja, geralmente mantém-se mais ou menos igual à temperatura da água. Certíssimo. Só que a homeostase serve para muito mais funções do organismo, não tem apenas a ver com a temperatura. E se a temperatura da água baixar ou subir além dos limites tolerados pelo corpo dos peixes, isso também tem consequências nefastas para a saúde deles. Há até uma doença que ataca frequentemente os peixes quando são submetidos a oscilações demasiado fortes e rápidas, que é a chamada "doença dos pontos brancos", ou "íctio", que é causada por um parasita unicelular minúsculo que penetra as defesas dos peixes nessa altura em que estão enfraquecidos. À semelhança do que sucede connosco com os vírus da gripe quando apanhamos frio.

 

Dependentes de tudo para viver

 

Só por este exemplo que acabámos de indicar se vê logo como os peixes são muito mais dependentes das condições do seu meio ambiente do que nós. É por isso que na Natureza a maior parte das espécies de peixes apenas se encontram numa determinada distribuição geográfica ou num determinado habitat, dois conceitos que também não são a mesma coisa. Então numa mesma zona do oceano não há espécies que se colocam a diferentes níveis de profundidade na coluna de água? De facto, muitas dessas espécies até podem partilhar a mesma distribuição geográfica, mas têm habitats diferentes. Sendo que no caso concreto que acabámos de mencionar, de certas espécies de peixes se manterem em profundidades diferentes, isso pode ser uma forma de encontrarem a temperatura ideal, uma vez que não a conseguem regular interiormente. Mas na Natureza eles têm sempre a hipótese de migrar para encontrarem condições ambientais mais favoráveis, enquanto em cativeiro já não.

 

Entre as muitas reacções bioquímicas que ocorrem no interior das células do corpo dos peixes e que são indispensáveis para a homeostase e para o regular funcionamento dos órgãos estão por exemplo as trocas gasosas e a concentração de iões no sangue (que envolvem a respiração e o sistema circulatório), a síntese e a a eliminação de substâncias no nosso organismo (como o crescimento e a função renal, por exemplo), etc. Em suma, esses processos que se realizam nos órgãos de qualquer ser vivo chamam-se funções e as que lhes são comuns a todos são chamadas funções vitais, por serem indispensáveis para a vida. A alimentação, bem como a reprodução, por exemplo, são funções vitais. Porque o termo "vital" vem de "vida", tem a ver com vitalidade, algo que implica tacitamente condições biológicas favoráveis à saúde. Ora, em qualquer aquário ou lago, tudo que tenha a ver com o suporte à vida e à saúde dos habitantes depende do que cada um de nós, aquariófilos, lhes soubermos proporcionar, tendo sempre em conta que as três grandes funções vitais são a relação com o meio, a nutrição e a reprodução [+] .

As 3 grande funções vitais para o ciclo da vida

 

Do ponto de vista da Biologia, as funções correspondem aos processos fisiológicos que se realizam no organismo de todos os seres vivos, sendo que as funções vitais são as funções indispensáveis para que cada ser vivo mantenha a vida a título individual. Só que a Biologia não contempla apenas os indivíduos, mas sim a vida em geral, pelo que se incluem na categoria das funções vitais todas as funções que estão associadas às relações com o meio ambiente e com os outros seres vivos, quer essas relações decorram entre espécies diferentes ou sejam intraespecíficas. Considera-se assim a reprodução como uma função vital, precisamente por concorrer para a manutenção da espécie a que esse indivíduo pertence.

 

Função vital #1 - Relação com o meio

Falámos desta função vital logo no começo deste texto sobre as doenças dos peixes, pois é ela que permite que os organismos dos seres vivos usem os respectivos sentidos para perceberem as condições do meio, tanto físico, ou seja, interno, como ambiental, portanto externo. É esta função que alerta o corpo para um problema na saúde ou para uma ameaça ambiental, por exemplo. São as funções deste grupo que possibilitam que os organismos dos seres vivos sintam as mudanças que ocorram e elaborem as respostas adequadas a esses estímulos. Abrangem por isso o sistema nervoso sensorial. São também estas funções que tornam possível aos seres vivos reagirem a condições desfavoráveis e relacionarem-se tanto com o respectivo meio ambiente como entre si, garantindo desta forma a sua sobrevivência enquanto indivíduos e enquanto espécie.

 

Função vital #2 - Nutrição

Função vital que inclui todos os processos fisiológicos realizados pelos organismos dos seres vivos para conseguirem obter matéria e produzir energia, dois factores essenciais para a vida. Esses processos são os seguintes:

 

Alimentação - Todos nós sabemos que a sobrevivência dos seres vivos exige que consumam alimentos que lhes forneçam as proteínas e os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Contudo, algo que muitas vezes nos esquecemos é que além da alimentação heterótrofica que é usada pelos animais, existe também a autótrofica, que além de ser a que é usada pelas plantas também é utilizada por várias bactérias e fungos que são agentes patogénicos e que às vezes nos criam problemas nos tanques, sendo consequentemente útil percebermos melhor como podemos lidar com eles e até saber como cortar-lhes as fontes de alimentação. Por isso convém prestarmos atenção às duas formas de alimentação com mais detalhe para percebermos bem as diferenças:

 

  • Alimentação heterótrofica - Forma de alimentação usada pelos animais, que consiste no consumo de matéria orgânica de uma maneira em que os alimentos são processados, digeridos e reduzidos a moléculas simples. Inclui o sistema digestivo, os órgãos fundamentais para o organismo realizar a digestão e os processos mecânicos e químicos desempenhados por esses orgãos que conduzem à quebra das biomoléculas dos nutrientes para serem usados, como os lípidos, as proteínas, os carbohidratos e os ácidos nucleicos.
  • Alimentação autótrofica - Forma de alimentação predominantemente utilizada pelos vegetais que consiste no consumo de matéria inorgânica e na produção de matéria orgânica a partir dela através da fotossíntese. Aqui convém recordar apenas por curiosidade que na Natureza também há plantas carnívoras, que não recorrem portanto só a esta forma de alimentação. Mas o que nos interessa reter no que toca à aquariofilia é que há vários fungos e bactérias que atacam os nossos peixes e funcionam em simbiose. Ora cortando-lhes a iluminação, estaremos a impedir que realizem a fotossíntese e por conseguinte estaremos também a afectar-lhes esta função vital.

 

Circulação - Processo fundamental que é efectuado pelo organismo para conseguir fazer chegar a matéria a todas as células nas diversas partes do corpo e que é realizado através do sistema circulatório. No sistema circulatório incluem-se tanto o sistema cardiovascular, em que o sangue é bombeado pelo coração e transportado pelos vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares), como o sistema linfático, em que a linfa, aquele fluido produzido quando o sangue passa pelos capilares, vaza para os espaços entre as células, sendo também transportada pelos vasos linfáticos.

 

Excreção - Consiste nos processos que asseguram a eliminação dos resíduos metabólicos que resultaram das reacções químicas ocorridas nas células do organismo. No caso dos animais contam-se entre esses resíduos a amónia, a ureia e o ácido úrico, por exemplo. Como todos esses subprodutos são tóxicos para os seus organismos, não podem permanecer na circulação sanguínea, tendo por isso de ser expelidos. Nos animais a libertação desse tipo de resíduos é efectuada através do sistema excretor, que conduz à expulsão da urina e das fezes.

 

Respiração - Está inserida na função vital da nutrição por se reportar aos processos metabólicos que permitem aos seres vivos produzirem e usar a energia que obtêm por meio da alimentação. Nos animais é desempenhada através da inspiração, que permite captar e fazer entrar oxigénio no corpo, bem como da expiração, que conduz à expulsão do dióxido de carbono produzido na sequência dos processos de produção de energia. Ao contrário dos restantes vertebrados, em que o sistema respiratório é formado pelas vias respiratórias e pelos pulmões, nos peixes tudo começa pelo sistema branquial, com a água a ser captada pela boca e a passar pelas guelras — onde o oxigénio é retido nos filamentos branquiais —, para voltar depois a ser expelida pela abertura lateral do opérculo. Todavia, convém salientar que há um grupo de peixes que além de brânquias também tem pulmões: são os peixes pulmonados, ou dipnóicos.

 

Função vital #3 - Reprodução

Função vital que permite aos seres vivos assegurarem a sobrevivência e a continuidade da respectiva espécie, por intermédio da transmissão dos seus genes às gerações seguintes, sendo que existem dois tipos de reprodução: a sexuada e a assexuada. A reprodução sexuada é aquela que obriga à existência de dois indivíduos do sexo oposto e é concretizada pela união das respectivas células sexuais, os óvulos e espermatozóides de cada um. Essas células sexuais de cada um dos indivíduos chamam-se gâmetas e o processo de união é a fecundação. A reprodução assexuada já é própria dos seres unicelulares e no processo só intervém um indivíduo, como é o caso da mitose, em que a sua célula se parte ao meio e dá origem a duas, por exemplo, assegurando assim a sua multiplicação com vista à continuidade da espécie.

 

Nota: É evidente que apesar dos organismos de todos os seres vivos realizarem as três grandes funções vitais que acabámos de enunciar, os processos que ocorrem em cada um deles podem ser — e regra geral são — totalmente distintos, muito por força das respectivas adaptações às condições do meio ambiente ao longo do seu processo evolutivo. Como é óbvio, num vertebrado todos os processos fisiológicos que sustentam estas funções são completamente diferentes dos de um vegetal ou de um microorganismo unicelular. Mas isto é sobretudo mais um dado que nós poderemos eventualmente utilizar como "arma" no combate aos agentes que causam as doenças dos nossos peixes.

 

Numa explicação cientificamente mais correcta, podemos resumir as funções vitais como sendo as funções realizadas pelo organismo de qualquer ser vivo indispensáveis para ele manter a vida, sendo que isto inclui os seres unicelulares, pois a sua única célula também as pode realizar de forma independente. É particularmente crítico retermos esta noção do que é uma função vital quando falamos das doenças dos nossos peixes porque não nos podemos esquecer de que a extensa maioria dos causadores dessas doenças, os chamados agentes patogénicos, também são eles próprios seres vivos. Precisamente por isso, o tratamento mais eficaz para nós erradicarmos esses agentes causadores da doença passa muitas vezes por simplesmente retirarmos-lhes as condições de suporte à vida. Tal como sucede nos nossos peixes, também os organismos dos parasitas e das bactérias que os costumam atacar realizam funções vitais, pelo que se os privarmos de desempenharem uma dessas funções estamos a condená-los à extinção e no bom caminho para conseguirmos tratar os peixes que estejam doentes.

 

Noutras áreas do nosso site já explicámos como se podem criar as condições para mantermos o ambiente biologicamente saudável num tanque, bem como assegurar os factores adequados de suporte à vida. Após esta introdução, resulta perfeitamente claro que qualquer aquariófilo nunca se pode abstrair de que os seus peixes são seres vivos e que por estarem em cativeiro o bem-estar geral e o equilíbrio de cada um deles a título individual dependem inteiramente de o respectivo dono lhes proporcionar um meio ambiente o mais adequado possível. Isso inclui uma alimentação completa e variada e sobretudo velarmos permanentemente pela saúde dos seres vivos que temos à nossa responsabilidade. Quem não tiver uma plena consciência disto não deve sequer pensar na aquariofilia. É melhor que procure outro hobby que não envolva seres vivos.

 

Evitar as causas para não ter de remediar

 

Quando pensamos na saúde dos nossos peixes, há um axioma na sabedoria popular que qualquer aquariófilo digno do nome deve encarar como um verdadeiro mandamento e que se resume na conhecida frase «prevenir em vez de remediar». Nos dias de hoje é consensualmente reconhecido entre a comunidade aquariófila que as principais causas de problemas de saúde nos peixes — infelizmente ainda demasiado comuns — consistem em factores que lhes são exógenos e estão particularmente relacionados com os seguintes aspectos:

 

  1. Falta de qualidade da água: para se manterem saudáveis os peixes precisam que a água também esteja biologicamente saudável. Perante isto, prestar uma atenção constante às condições biológicas e químicas do aquário é um factor vital para o sucesso a médio e longo prazo. Como já vimos, é fundamental haver um sistema de filtragem eficiente, que remova os detritos, sustente as colónias de bactérias que mantêm a qualidade da água e assegure uma correcta ventilação. Sendo que efectuar mudanças parciais da água com regularidade e garantir que os parâmetros bioquímicos estão correctos são medidas importantes para evitar problemas relacionados com a qualidade da água. No fundo, do que estamos aqui a falar é da higiene do ambiente.
  2. Existência de agentes geradores de stress: o stress é claramente a segunda causa de problemas. Há pouco salientámos a importância que a homeostase assume para a saúde dos seres vivos em geral e o stress é um factor de permanente desequilíbrio. Para assegurarmos aos nossos peixes condições para esse equilíbrio temos de proporcionar-lhes uma vida feliz e despreocupada, o que implica um ambiente tranquilo. Essa tranquilidade começa pela estabilidade ambiental — manter uma temperatura uniforme e constante, ter uma iluminação adequada e com horários certos, por exemplo —, seguida da segurança e do conforto, nomeadamente não terem "vizinhos" que os estejam constantemente a molestar, disporem de esconderijos que os façam sentirem-se protegidos, terem espaço para se movimentarem à vontade, contarem com parceiros adequados para interagirem ou formar cardume caso sejam espécies gregárias, etc. Em suma, condições para se sentirem "em casa".
  3. Dieta inadequada e/ou monótona: embora todos nós saibamos que, tal como sucede com todos os animais, os peixes necessitam de comida em quantidade suficiente para obterem energia e para terem um crescimento normal e se desenvolverem, a importância de uma alimentação correcta para manterem o seu estado geral de saúde persiste um dos aspectos mais subvalorizados no nosso hobby. Por mais que a publicidade das marcas nos tente convencer do contrário, não há nenhuma ração comercial que cubra todas as necessidades alimentares de todas as espécies. Ora a realidade é que ainda são relativamente poucos os aquariófilos que procuram oferecer uma dieta realmente equilibrada e variada aos seus peixes, que contenha todos os nutrientes necessários para o respectivo metabolismo e sobretudo adequada a todas as espécies que mantêm. Se no capítulo da alimentação a regra é «peixe saudável é peixe com fome», a verdade é que eles também não estão sempre com o mesmo apetite, também ficam saciados e também enjoam se o que tiverem ao dispôr para comerem for sempre a mesma coisa. Mesmo usando rações como base da dieta, devemos esforçar-nos para lhes variar a ementa.

 

Além das causas mais frequentes de problemas de saúde que acabámos de enumerar, existem ainda duas outras medidas igualmente críticas para nos ajudarem a evitar o surgimento desses problemas. A primeira delas é a observação frequente e periódica do tanque para garantir que tudo está bem, com particular realce para situações como eventuais avarias no equipamento, entupimentos nos filtros ou uma morte súbita de um peixe, só para apontar alguns exemplos. Situações deste tipo terão obrigatoriamente de ser corrigidas o mais rápido possível, antes que provoquem uma degradação no ambiente. Quanto à segunda medida, que decorre da primeira, é a indispensável quarentena que se deve sempre fazer antes de introduzir um novo habitante em qualquer aquário ou lago.

 

Um diagnóstico preciso e precoce

 

Quando dizemos que a quarentena decorre da observação referimo-nos simplesmente ao facto de também ela ter a ver com uma inspecção minuciosa do estado geral de saúde do novo peixe. Para nos certificarmos de que não apresenta sinais de stress que o deixem vulnerável a potenciais problemas de saúde — como ataques de parasitas, por exemplo —, nem tem nenhuma doença que possa contaminar o tanque onde vai habitar. Só que efectuar uma análise cuidada não exige apenas uma particular atenção, implica tempo. Assim, quanto mais prolongado for o prazo da quarentena de um novo peixe, de preferência deixando que se estenda por algumas semanas, mais garantias teremos de que ele não irá contaminar o aquário ou lago onde irá passar a viver. Até porque certos problemas envolvem um período de incubação até que os sintomas se manifestem.

 

Basicamente estamos a falar de reunir toda a informação prévia para uma conclusão essencial no que toca às doenças e aos respectivos tratamentos, a qual consiste em obter um diagnóstico o mais acertado e precoce possível. Como é evidente, esta metodologia não se resume à quarentena, pois aplica-se a todas as situações em que se detectem sinais ou comportamentos anormais em qualquer peixe. Mas se um diagnóstico acertado é crítico para o sucesso do tratamento, são infelizmente bastante usuais os erros de avaliação, especialmente entre os aquariófilos inexperientes. Um erro que muitos cometem assim que detectam um sintoma estranho num peixe e vão pesquisar a que doença corresponde é avançarem logo para o primeiro tratamento que lhes aparece pela frente tendo por suporte esse sintoma.

 

Na ânsia de tratarem o seu animal, não pesquisam outras doenças em que esse sintoma pode também eventualmente manifestar-se e infelizmente no que toca às doenças dos peixes existem muitos sintomas semelhantes e que podem ser confundidos mas que indicam distúrbios muito distintos entre si. O resultado final é que a terapêutica pode não ser a mais adequada e não resultar. Torna-se assim «pior a emenda que o soneto», pois o peixe que já estava debilitado foi submetido a um stress desnecessário. Aliás, a importância de um diagnóstico correcto nem é sequer nada de novo, pois já vem da Grécia Antiga, época em que o método foi introduzido por Hipócrates, o "pai" da Medicina ocidental, que salientou a importância de observar, estudar e compreender o funcionamento do organismo no sentido de encontrar explicações racionais para os males e conseguir controlá-los através dos tratamentos e medicações mais adequados.

 

Além de devermos ter esta preocupação, de pesquisar e confirmar se a nossa avaliação dos sintomas e da doença correspondente estão correctos, existe um outro procedimento que deve igualmente ser adoptado sempre que surja a necessidade de fazer um diagnóstico. Esse procedimento consiste apenas em pedir a chamada segunda opinião a um aquariófilo mais experiente. Muitas vezes sucede nós estarmos focados num sintoma do peixe e deixarmos escapar outros sinais menos óbvios que podem ser determinantes para formar o diagnóstico com mais precisão. Além de que podem também existir diversas abordagens terapêuticas para o mesmo problema e consoante todos os factores envolvidos no nosso ecossistema alguns poderão ter sérias contra-indicações. Exemplos concretos disso são alguns remédios que podem afectar a flora ou serem mesmo fatais para os caracóis e outros invertebrados.

 

Guia de doenças e tratamentos

 

Terminadas as considerações essenciais relativas à metodologia a seguir para identificar as doenças dos peixes, deixamos-lhe em baixo um guia sobre as doenças e infecções mais comuns dos peixes de água doce, com os correspondentes sintomas geralmente mais evidentes e as abordagens terapêuticas que se podem observar para que o respectivo tratamento seja bem sucedido:

 

Infecções causadas por bactérias

 

 

Infecções causadas por parasitas

 

 

Doenças causadas por fungos

 

 

Doenças causadas por vírus

 

 

Doenças causadas por vermes parasitas

 

 

Artrópodes (parasitas externos)